Câncer de Bexiga
- Dr. José David Kartabil
- 22 de mai. de 2019
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O câncer de bexiga acomete mais frequentemente homens. Seu aparecimento e o risco de levar a óbito são afetados diretamente pelos hábitos de vida dos pacientes. O tabagismo é o principal fator associado ao aparecimento dessa doença, a exposição a substâncias tóxicas presentes em derivados do petróleo e tintas, também aumentam esse risco de desenvolver o câncer de bexiga.

Na maioria dos casos esse diagnóstico é realizado em uma fase inicial, sendo possível um tratamento com maiores taxas de cura e menores riscos e recidivas. O principal sinal desse tumor é o aparecimento de sangue na urina (visível ou apenas no exame de sangue).
O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário e o 9º tipo mais incidente, em nível mundial. Quando comparado por sexo, nos homens, ocupa a sexta posição, em seguida aos de pulmão, próstata e colorretal. Nas mulheres, é o 19º mais frequente mais comumente em países desenvolvidos.
Umas das características é a intermitência do sangramento, o sangue pode estar presente um dia e ausente no dia seguinte e assim a urina pode ser clara durante semanas ou meses. No caso de um câncer de bexiga, o sangue, eventualmente, reaparece. Normalmente, os estágios iniciais de câncer de bexiga causam pouco sangramento, e pouca ou nenhuma dor.
Sangue na urina não significa necessariamente ter câncer na bexiga. O sangue, frequentemente, pode ser causado por outros motivos, como infecções, tumores benignos, pedras nos rins ou outras doenças renais benignas.
Além do sangramento, o câncer de bexiga pode, algumas vezes, provocar alterações na micção, como:
Urinar com frequência maior que a habitual;
Sensação de dor ou queimação ao urinar;
Urgência em urinar, mesmo quando a bexiga não esteja cheia;
Problemas para urinar ou fluxo de urina fraco.
Diante da suspeita, inicia-se a investigação com exame de urina e de imagem. Entre eles o ultrassom é a primeira ferramenta de avaliação, servindo muitas vezes como triagem inicial. Embora esse exame tenha bons resultados, alguns pacientes necessitarão complementar a investigação com a realização de uma tomografia computadorizada com contraste, que permite uma ampla avaliação do trato urinário inferior e superior.
Em pacientes com fatores de risco e com sangramento na urina, ainda que ultrassom e tomografia normais e diante da suspeita de tumor de bexiga, está indicada a realização de cistoscopia (exame endoscópico que visualiza toda a camada interna da bexiga). Caso apresente alguma alteração, pode ser realizada biópsia.
Uma vez diagnosticada a presença de uma lesão suspeita dentro da bexiga, o próximo passo é a retirada dessa área. Portanto o diagnóstico definitivo de câncer de bexiga só ocorre após essa avaliação patológica. Atualmente esse processo é realizado por meio de um aparelho introduzido pela uretra, chamado de ressecção transuretral (RTU). De acordo com a análise patológica, essa RTU inicial pode ser suficiente para o tratamento. Já alguns casos podem necessitar de nova ressecção para melhor avaliação da doença, chamada de Re RTU após quatro a seis semanas, para confirmar lesões residuais ou estadia melhor o paciente.
De acordo com a análise patológica dessa nova ressecção (Re RTU), um tratamento complementar com uso de medicamentos intravesicais pode ser necessário. O mais frequente é o uso de solução de BCG intravesical (a mesma que usada para a vacinação da população, mas em uma dose maior), por um período que varia de seis semanas até três anos (dependendo de cada protocolo e experiência do local onde o paciente se encontra)
Em cerca de 25% dos pacientes, esse procedimento evidencia a presença de uma doença mais grave, invasiva, com necessidade de tratamentos mais complexos. Nesses casos, determinados como músculo invasivo, a retirada completa da bexiga (cistectomia radical) e derivação da urina, é considerada o principal tratamento com intenção curativa.
Alguns tumores músculo-invasivos, em em casos muito especiais, podem ser tratados com a preservação da bexiga, através de uma RTU extensa associada a radioterapia e quimioterapia. Mesmo sem a retirada completa da bexiga, esse tratamento também pode ser curativo.
Uma característica do câncer de bexiga é sua recidiva, a volta do tumor, por isso muito importante é o seguimento. Conforme o risco e estadiamento do tumor, os exames que serão necessários no acompanhamento do paciente podem variar em cada caso, mas todos tem que fazer um seguimento rígido e contínuo, para avaliar recidivas e progressões.
O diagnóstico precoce e o tratamento rápido aumentam as chances de cura da doença, assim como o seguimento adequado prolonga a vida dos pacientes.