Disfunção erétil Psicogênica
- Dr. José David Kartabil
- 12 de abr. de 2019
- 4 min de leitura
A disfunção erétil, também conhecida como impotência, é a incapacidade de obter e manter uma ereção do pênis firme o suficiente para uma relação sexual satisfatória.

A disfunção erétil tem íntima relação com o adoecer do homem em virtude de não cuidar de sua saúde. A disfunção erétil é um sinal de uma condição de saúde subjacente que precisa de tratamento, hoje consideramos a disfunção orgânica como um marcador de doença coronariana.
A disfunção erétil resumem-se a causas orgânicas ou motivos psicológicos. Quando a causa é orgânica o problema pode estar relacionado à aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias), diabetes, problemas nos nervos, obesidade, tabagismo, deficiência hormonal ou até consequência de cirurgia de próstata e câncer pélvico além de efeitos colaterais de medicamentos (anti-hipertensivos, antidepressivos, automedicação principalmente com hormônios).
Os homens, no passado, demoravam de três a quatro anos para buscarem o diagnóstico e tratamento da dificuldade de ereção. Hoje essa procura está menor, pois as informações e a possibilidade de acesso à consulta médica melhorou, permitindo acolhimento, diagnóstico e tratamento correto. É importante lembrar que nem toda disfunção erétil está relacionada a alguma doença orgânica, fatores psicológicos também podem ser os responsáveis. Além dos estresses cotidianos, a ansiedade pelo ato sexual também é uma causa comum de dificuldade de ereção.
Todo homem, com vida sexual ativa, em algum momento já “falhou” ou poderá falhar. Afinal, o sexo não depende apenas de estímulos físicos, mas de emoções, bem estar psicológico e sensações.
Ter problemas de ereção de tempos em tempos não é necessariamente motivo de preocupação. No entanto, se a disfunção erétil é um problema constante ela pode causar estresse, afetar a autoconfiança e contribuir para problemas de relacionamento.
Do ponto de vista Urológico, a perda ou falta de ereção tem se mostrado um problema cada vez mais presente na vida do homem atual, mesmo em jovens, que passaram a procurar ajuda em maior número.
Inicialmente, é preciso identificar as razões que podem ter contribuído para a ausência de uma ereção completa ou suficiente. Após descartarmos um problema orgânico, podemos procurar alguma causa, relaciono abaixo as principais, e resumidamente esclareço no texto:
• Ansiedade
• Cansaço
• Masturbação frequente
Muitas vezes, os estresses ocasionados pelas responsabilidades do dia a dia contribuem para o aumento da ansiedade, principalmente em momentos cruciais na vida pessoal ou profissional.
Além disso, passar por uma situação como essa previamente pode desencadear um medo de que ela se repita. De forma inconsciente, o homem fica preocupado em não falhar novamente, e com isso, passa a se concentrar na performance, e não no prazer.
O cansaço do trabalho, dos estudos, das poucas horas de sono, podem obviamente ocasionar uma queda no apetite sexual, o que não significa um problema.
Outra situação embaraçosa é quando não rola o clima, muitas vezes por conta da rotina do casal. Nesses casos, pode-se procurar inovar nos aspectos da vida sexual, como transar em um lugar diferente, num motel nunca antes visitado pelo casal, roupas e fantasias provocantes, e até novas posições sexuais.
A Masturbação é uma forma do homem, conhecer melhor o próprio corpo, e facilita no controle da ejaculação. No entanto, quando o indivíduo está acostumado a se masturbar, com prática excessiva, apenas em função do prazer próprio, utilizando apenas movimentos e ritmos que ele já conhece, pode ser complicado partir para uma relação sexual com uma parceira.
A relação sexual entre parceiros envolve fatores além da penetração, como o toque, o cheiro e as preliminares para o ato. Se o homem não estiver psicologicamente preparado para isso, e não souber como aproveitar todas as sensações prazerosas que o encontro proporciona além da penetração, provavelmente terá dificuldades.
O medo ou a ansiedade liberam naturalmente no organismo um hormônio chamado adrenalina.
A presença da adrenalina na corrente sanguínea pode provocar efeitos como:
• Coração acelerado
• Sudorese nas mãos e nos pés
• Boca seca
• Frio na barriga
• Alterações no intestino
A adrenalina diminui o calibre dos vasos sanguíneos do corpo, inclusive e principalmente os vasos do pênis. Ao diminuir o calibre dos vasos, a circulação menor de sangue pode fazer com que o pênis fique flácido.
Independente da idade a abordagem do homem com disfunção erétil deve inicialmente buscar identificar fatores de risco para problemas circulatórios.
Medir pressão arterial, níveis do açúcar no sangue, alguns hormônios como a testosterona, colesterol, peso, hábitos nocivos como consumo de drogas ilícitas, álcool e tabaco. Tudo o que não está adequado deve ser considerado no momento de orientar o jovem na adoção de atitudes saudáveis. A ideia é mostrar que ele precisa investir hoje para envelhecer com saúde amanhã.
O segundo passo, fundamental para superar um quadro de impotência de origem psicogênica, é estabelecer um bom relacionamento entre o profissional de saúde e o paciente, na prática, nada é muito simples nessas questões envolvendo sexualidade.
O ideal é que o Urologista trabalhe com um Psicólogo, muitas vezes com a ajuda da parceira, para ajudar no processo de superação. O paciente precisa ser informado de que tudo nessa área ocorre de forma gradativa e que ele não deve se cobrar soluções imediatas. Isso só gera mais expectativa, aumenta a ansiedade e perpetua o ciclo vicioso. Não existe nada milagroso. E não use medicamentos sem orientação médica, muitas vezes a automedicação só piora o problema.
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