Sífilis, o novo avanço no Brasil e no mundo
- Dr. José David Kartabil
- 25 de out. de 2018
- 3 min de leitura
A Sífilis é uma doença ou infecção sexualmente transmissível (DSTS/IST) causada pela bactéria Treponema pallidum.

É transmitida por meio de relação sexual (vaginal, anal e oral) desprotegida com uma pessoa infectada, ou ainda pode ser transmitida para a criança durante a gestação ou o parto.
Ela pode se apresentar das mais variadas formas clínicas e é classificada em diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária)
A sífilis era nada menos que a praga sexual que varria a Europa. Só após a Segunda Guerra Mundial, com a descoberta da penicilina, é que veio a cura efetiva. O tratamento é relativamente simples: na maioria das vezes, bastam algumas injeções de antibiótico.
No Brasil a IST é predominante no sexo masculino: do total de contaminados, há 60,1% de brasileiros para 39,9% de brasileiras.
Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em novembro de 2017, o Brasil registrou aumento de 27,9% nos casos de sífilis adquirida (em adultos) entre 2015 e 2016. Só neste último ano, houve 87.593 novas contaminações, sabemos que no nosso país tem uma subnotificação muito grande. As infecções congênitas (passadas de mãe para filho na gestação) também cresceram 4,7% no mesmo período.
Nos Estados Unidos, o relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de 2017 aponta que a sífilis avançou em todas as regiões e em quase todas as faixas etárias. Já na Inglaterra, dados do Public Health England (PHE),o departamento inglês de saúde pública, revelam que a doença atingiu o maior nível desde 1949. Fechando a fatura, temos estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS): a cada ano, 12 milhões de pessoas contraem sífilis no planeta. A patologia é ainda a segunda maior causa de mortalidade entre recém-nascidos no mundo.
O sintoma clássico do estádio primário é uma úlcera na pele (da região genital) que é indolor, firme e não pruriginosa. No estádio secundário aparece uma erupção cutânea difusa, geralmente nas palmas das mãos e dos pés, e podem aparecer úlceras na boca ou na vagina. No estádio latente, que pode durar vários anos ou décadas, não se manifestam sintomas. No estádio terciário podem aparecer formações não cancerígenas denominadas gomas e sintomas neurológicos ou cardíacos.
A sífilis pode causar sintomas semelhantes a várias outras doenças.
Em alguns casos, os sintomas da sífilis em adultos são:
- úlceras genitais
- erupções generalizadas na pele, ou na palma das mãos e plantas dos pés
- cansaço e dor de cabeça
- febre e dor nas articulações
O problema é que, diferentemente do que acontece com outras DSTs, uma pessoa pode estar infectada com sífilis e não apresentar nenhum sintoma. E, dessa forma, acaba contagiando outras pessoas inadvertidamente.
A transmissão ocorre pela relação sexual sem o uso de camisinha com indivíduo contaminado. A mãe contaminada pode transmitir a doença durante a gestação ou na hora do parto (sífilis congênita). Por isso é importante que a mulher grávida faça o exame pré-natal. Mais raramente, a sífilis pode ser transmitida pela transfusão sanguínea e objetos contaminados.

O diagnóstico sorológico é feito com o teste Teste Rápido, que está disponível no SUS. Quando há um resultado positivo, uma amostra de sangue é recolhida para realização de outro teste para a confirmação do diagnóstico.
Existe um tabu para a procura por tratamento para DST/IST de um modo geral. Isso ocorre porque essas doenças são estigmatizadas como sendo associadas à promiscuidade e os indivíduos contaminados ficam com receio de procurar ajuda médica. Por conta disso, a incidência destas doenças e mais especificamente a da sífilis está aumentando. Ao menor sinal de sintomas, deve-se procurar ajuda médica.
Quer saber mais? Seguem alguns links:
https://www.infoescola.com/doencas/sifilis-congenita/
https://www.cdc.gov/std/sam/2017syphilis.htm
https://www.theguardian.com/society/2017/jun/06/cases-of-syphilis-hit-highest-level-in-england-since-1949
http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/novembro/13/BE-2017-038-Boletim-Sifilis-11-2017-publicacao-.pdf
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