Síndrome Metabólica
- Dr. José David Kartabil
- 26 de set. de 2018
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Síndrome Metabólica corresponde a um conjunto de doenças cuja base é a resistência periférica a insulina, uma doença da civilização moderna associada à obesidade, como resultado da alimentação inadequada e do sedentarismo, caracteriza-se pela associação de fatores de risco de doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames cerebrais), de doenças vasculares periféricas e da diabetes.
Pela dificuldade de ação da insulina, decorrem as manifestações que podem fazer parte da síndrome. Não existe um único critério aceito universalmente para definir a Síndrome. Os dois mais aceitos são os da Organização Mundial de Saúde (OMS) e os do National Cholesterol Education Program (NCEP) este americano.
Porém o Brasil também dispõe do seu Consenso Brasileiro sobre Síndrome Metabólica, documento referendado por diversas entidades médicas.
Segundo os critérios brasileiros, a Síndrome Metabólica ocorre quando estão presentes três dos cinco critérios abaixo:
• Obesidade central - circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher e 102 cm no homem;
• Hipertensão Arterial - pressão arterial sistólica 130 e/ou pressão arterial diatólica 85 mmHg;
• Glicemia alterada (glicemia 110 mg/dl) ou diagnóstico de Diabetes;
• Triglicerídeos 150 mg/dl;
• HDL colesterol inferior 40 mg/dl em homens e 50 mg/dl em mulheres
No Brasil, essa síndrome já atinge aproximadamente 30% da população em geral, aumentando de acordo com a idade e chegando em algumas regiões a quase 50% da população entre 55 e 64 anos.
É uma doença silenciosa, pois praticamente todos os componentes da síndrome metabólica são inimigos ocultos porque não provocam sintomas, mas representam fatores de risco de doenças cardiovasculares graves.
Existe uma elevada prevalência de fatores de risco cardiovascular numa população de doentes com Disfunção Erétil e uma relação direta com a síndrome metabólica.
Atualmente a Disfunção Erétil é considerada um preditor de eventos cardiovasculares isquêmicos, aparecendo antes de um Infarto do Coração, Thompson et al estudaram mais de 9.000 homens no Prostate Cancer Prevention Trial e a taxa de risco de homens com Disfunção Erétil para eventos cardiovasculares em 5 anos foi considerado um marcador significativo, além de 96,5% dos indivíduos com síndrome metabólica apresentaram Disfunção Erétil.
Existe uma sobreposição de sinais e sintomas comuns na Síndrome Metabólica (dependendo da intensidade de cada componente da síndrome) e na Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (Hipogonadismo): aumento de gordura visceral, diminuição de massa magra (sarcopenia), cansaço, fadiga, humor depressivo, diminuição da vitalidade e do bem-estar, perda de energia, diminuição de libido, disfunção erétil.
Várias pesquisas identificaram que baixos níveis de testosterona em homens adultos estão associados com fatores de risco para síndrome metabólica, independente da geografia, etnia, estilo de vida e idade.
A relação entre o hipogonadismo masculino, síndrome metabólica, diabetes, doenças cardiovasculares e disfunção erétil é muito complexa. O aspecto mais importante dessa hipótese de trabalho é reconhecer que indivíduos identificados como tendo Síndrome Metabólica estão em alto risco de desenvolver hipogonadismo, Diabetes tipo 2, Doença Cardiovascular e Disfunção Erétil. A evidência emergente que liga deficiência androgênica a múltiplos fatores de risco, incluindo a obesidade, diabetes, hipertensão arterial e perfil lipídico alterados, sugere que os andrógenos desempenham um papel importante na regulação da homeostase e que a deficiência androgênica contribui para muitos fatores de risco e doenças associadas à Síndrome Metabólica e Doença Cardiovascular.
O principal e mais eficaz “tratamento” para a síndrome metabólica e complicações associadas passa por uma ampla mudança nos hábitos de vida, notadamente uma alimentação mais saudável e prática de exercício físico regular com perda do excesso de peso, deixar de fumar e moderar o consumo de álcool. Como os fatores encontram-se interligados, a melhoria de um dos aspectos da síndrome metabólica pode levar a uma melhoria global de todo o quadro clínico, inclusive da disfunção erétil.
Se as medidas não forem suficiente partimos para o tratamento farmacológico, com inúmeros medicamentos.
Em uma medida mais agressiva quando os medicamentos não sejam suficientes pode ser necessário fazer uma cirurgia bariátrica (redução de estômago)
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